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Pedro Sampaio


Eu não sou uma ilha


- inspirado no conto A Ilha Desconhecida (José Saramago)


[filmes fotográficos 35mm]

Parte II - Deixando a ilha


Na segunda parte, vem o processo de deixar a ilha imaginária, em busca do continente. Como diz Saramago em “O conto da ilha desconhecida”: “é necessário sair da ilha para ver a ilha, que não nos vemos se não nos saímos de nós.”

E para sair da ilha, o caminho é pelo mar.

      fotografar o mar é uma ação sem controle, já que o mar é movimento constante

      o mar é mudança, o mar é sempre imprevisível. o mar é impermanência brutal

Mas do líquido concreto, emerge um sólido abstrato. Nas fotos, o mar parece uma superfície dura e escura. Como se fosse a parede de uma caverna iluminada

O movimento e a intensidade da luz operam como uma fronteira entre o real e o imaginário em constante movimento. E nesse movimento entre sólido e líquido, onde não se sabe o estado físico da coisa é que se encontra a travessia.